Doenças antigas continuam matando
Publicado por Elisana Tenorio em 29/11/2009 as 22:39
Arquivado em Cidades
Tuberculose e hanseníase são casos dos males de outros tempos que ainda fazem vítimas em Alagoas
Médicos e enfermeiros que trabalham nas unidades de referência de Alagoas foram orientados sobre a nova forma de tratamento da tuberculose. Os profissionais receberam orientações para que, em seguida, possam repassá-las para aos agentes de saúde e técnicos de enfermagem dos municípios em que trabalham.
A coordenadora Estadual do Programa de Combate a Tuberculose da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Tânia Maria de Queiroz, explicou que a mudança no tratamento acontece com a introdução de mais uma droga – a etambuto. Ela será ingerida numa mesma pílula que contém outras três, que já estão em uso. Será uma espécie de comprimido do tipo quatro em um.
“Isso proporcionará um conforto maior ao paciente. Ao invés de tomar seis comprimidos por dia, ele tomará apenas três. Com isso, esperamos que o índice de abandono do tratamento diminua”, explica Tânia de Queiroz.
Ela refere-se a atual forma de tratamento contra o bacilo da Tuberculose, que é feita em seis meses. Muitas pessoas simplesmente deixam de tomar os remédios por conta própria quando estão no meio do tratamento, o que faz com que não fiquem curadas.
Em Maceió, o tratamento é disponibilizado em várias unidades de saúde. O paciente é examinado e recebe a medicação gratuita. O problema maior fica por conta da desistência de muitos que simplesmente deixam de tomar os remédios e não voltam mais ao médico.
A tuberculose é transmitida pelas vias áreas superiores. Seus sintomas principais são: tosse crônica; febre; suor noturno; dor no tórax, perda de peso lenta e progressiva, falta de apetite.
Hanseníase: cerca de 450 casos por ano
Hanseníase - Outra doença secular que continua assustando e fazendo vítimas em Alagoas é hanseníase, que antigamente era conhecida como lepra. A coordenadora do Programa Estadual de Controle da Hanseníase em Alagoas, Clodis Maria Tavares, revela que são notificados uma média de 450 casos por ano no Estado.
Desses, 12% apresentaram seqüelas neurológicas. Ou seja, só procuraram atendimento médico quando o estado da doença já era considerado avançado.
A quantidade é considerada alta para os padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS). “Esta foi a média de casos notificados nos últimos cinco anos, o que, para o OMS, ainda significa alta detecção”, afirmou Clodis.
Ela ainda chama a atenção para outro ponto. Em Alagoas, há muitas crianças e adolescentes adoecendo. O que significa dizer que a doença não está controlada. “A maioria das vítimas são adultos e o pessoal da terceira idade. Por isso, os jovens já se contaminam com eles”, explicou Clodis.
Mal da pele e pode atacatar órgãos
A hanseníase é causada pelo bacilo de Hansen, o Mycobacterium leprae: um parasita que ataca a pele e nervos periféricos, e pode afetar outros órgãos como o fígado, os testículos e os olhos. Não é hereditária, mas é contagiosa. Pode ser transmitida pelas vias aéreas superiores, ou seja, através da fala, da tosse e do espirro. Para isso, porém, o contato precisa ser prolongado.
Os primeiros sinais geralmente aparecem sob a forma de manchas dormentes – de cor avermelhada ou esbranquiçada – em qualquer região do corpo. Placas, caroços, inchaço, fraqueza muscular e dor nas articulações podem ser outros sintomas. O período de incubação varia entre três e cinco anos.
Com o avanço da doença, o número de manchas ou o tamanho das já existentes aumentam e os nervos ficam comprometidos, podendo causar deformações em regiões, como nariz e dedos, e impedir determinados movimentos, como abrir e fechar as mãos. Além disso, pode permitir com que determinados acidentes ocorram em razão da falta de sensibilidade nessas regiões.
O diagnóstico consiste, principalmente, na avaliação clínica: aplicação de testes de sensibilidade, força motora e palpação dos nervos dos braços, pernas e olhos. Exames laboratoriais, como biópsia, podem ser necessários.
O tratamento e distribuição de remédios são gratuitos e, ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, em face do estigma que esta doença tem, não é necessário o isolamento do paciente.
Durante este tempo, o paciente pode desenvolver suas atividades normais, sem restrições. Entretanto, reações adversas ao medicamento podem ocorrer e, nestes casos, é necessário buscar auxílio médico. A doença é 100% curáve
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