Gastão Arruda é submetido novamente a julgamento por homicídio
Publicado por Iracema Ferro em 09/03/2010 as 11:20
Arquivado em Cidades, Manchete
Iracema Ferro – Repórter
Pela segunda vez, o empresário Gastão Amaro Leão Rêgo de Arruda senta nesta terça-feira (9) no banco dos réus para ser julgado pela morte do funcionário da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Josival Albuquerque de Oliveira, o “Vavá”, 17 anos após o crime.
Familiares e amigos da vítima estão na sede provisório do Fórum de Maceió, no Barro Duro, e vestem camisetas pretas pedindo Justiça.
“Não estamos aqui para pedir vingança, mas porque queremos que a Justiça seja feita. O Vavá foi morto na antevéspera do Natal e todos os anos essa não é uma data festiva para a nossa família, é sempre muito triste. É uma dor muito grande para nós que o assassino do Vavá continue solto, nunca tenha sido punido por tirá-lo de nós”, afirma a irmã da vítima, a dona de casa Marisa Albuquerque.
A sessão começou por volta das 9h30 e não tem hora para acabar. Há poucas pessoas no auditório.
O advogado de defesa, Dionísio Pitta de Omena, defende a tese de que Gastão Arruda havia sido provocado e ameaçado por Vavá. “O Vavá estava armado e disse mais de uma vez para o Gastão que o pai dele era um bandido. Ficou provocando ele o tempo todo”, acusa o advogado.
Dionísio Pitta substitui o advogado Welton Roberto, que faz pós-graduação na Europa.
Vavá foi assassinado durante uma greve que estava sendo realizada pelos servidores da Ceal. À época, o tio de Gastão Arruda, Marcelo Arruda, era o presidente do órgão. Por conta disso, era comum Gastão frequentar a sede da empresa.
No dia do assassinato, depois de uma discussão entre vítima e acusado, que avaliava a legalidade da paralisação, Gastão Arruda teria atirado em Josival Albuquerque. Foram seis tiros, sendo o primeiro na perna e os demais nas costas, já quando a vítima já estava caída no chão.
Josival Albuquerque ainda chegou a ser socorrido para o Hospital da Unimed, mas morreu minutos depois de chegar à unidade de saúde. A vítima não pertencia ao sindicato, mas seus familiares afirmaram que ela fazia oposição ao presidente da Ceal, que era tio do agressor.
Gastão Arruda chegou a ser condenado a 14 anos de prisão por este crime em 2007, mas como a condenação não foi por unanimidade de votos, a defesa recorreu, o júri foi anulado e uma nova sessão foi marcada. O julgamento foi remarcado para o dia 24 de fevereiro, mas adiado novamente porque uma das testemunhas de defesa, o deputado estadual Paulo Fernando dos Santos, o “Paulão”, não foi intimado a tempo para comparecer ao fórum.
A sessão do 3º Tribunal do Júri é presidida pelo juiz da 9ª Vara Criminal da Capital, José Braga Neto, a acusação está à cargo do promotor Villas Boas.
2 comentários
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esse juiz esta de brincadeira, o cara mata um cidadão com cinco tiros no primeiro o rapaz pede para ele não atirar mais, e ainda tem mais o juiz não julgou o porte ilegal de arma mais um agravante e ele só apena o mesmo com cinco anos CNJ fique de olho.
Edmilson,
não sei se o Sr. tem conhecimento jurídico, mas no Tribunal do Júri quem decide não é o juiz e sim os jurados, ou seja, o juiz apenas faz a dosimetria da pena. Com relação ao porte “ilegal” de arma tem duas situações a serem esclarecidas: 1. o crime mais grave (homicídio) absorve o crime menos grave (suposto porte ilegal), de acordo com o denominado princípio da consunção; 2. O acusado Gastão teve a si conferido, pelo então Secretário de Segurança, o porte da arma de fogo, inclusive a arma lhe foi dada também pelo referido secretário. Portanto, antes de tecer comentários infelizes, procure tomar conhecimento melhor de como se deram os fatos. O julgamento foi justo, a sociedade, representada naquele momento pelos sete jurados, foi quem decidiu o destino do acusado.