Prisão de gerente do Centerplex gera mal-estar entre Gecoc e Polícia
Publicado por Thiago Gomes em 09/03/2010 as 19:15
Arquivado em Cidades, Manchete
Thiago Gomes – Repórter
A prisão da gerente nacional da rede Centerplex, salas de cinema que estão instaladas no Shopping Pátio Maceió, ocorrida no final da tarde de segunda-feira (8) provocou um verdadeiro mal-estar entre a Polícia Civil e os integrantes do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc).
A denúncia de que os agentes do Tático Integrado de Grupos de Resgates Especiais (Tigre) queriam aplicar a convencional “carteirada”, dita pela gerente, é rebatida pela direção da Polícia Civil, que sustenta o fato de que os policiais foram ao estabelecimento averiguar uma denúncia da prática de tráfico de entorpecentes no local. Para isso, uma operação foi recomendada pelos integrantes do Gecoc. No entanto, o órgão do Ministério Público Estadual (MPE) nega que houve o pedido.
O promotor Alfredo Gaspar de Mendonça, coordenador do Gecoc, informou que não fez – tampouco os demais integrantes do órgão – qualquer pedido para que fosse deflagrada uma ação específica para detectar e prender traficantes dentro ou fora do shopping. Na opinião dele, houve um equívoco da Delegacia-Geral da Polícia Civil.
“Há dois meses atrás solicitamos mais membros para compor o Gecoc e entre um dos que foram escolhidos tinha um representante da Polícia Civil, que ficou encarregado de atuar na Inteligência. Essa pessoa foi responsável por produzir um relatório onde foi constatado indício de tráfico de drogas naquela região do shopping recém-inaugurado. O documento foi expedido esta semana e pode ter servido de subsídio para que fosse feita esta constatação dentro do estabelecimento”, revelou o promotor.
Alfredo Mendonça ainda continuou. “Quero que fique bem claro que a operação não foi a pedido do Gecoc, como foi divulgado e comentado pelos integrantes da cúpula da Polícia Civil. Nenhum dos nossos membros requisitou esta operação específica. Quando o relatório foi produzido, assim como muitos outros são feitos por dia, a sua finalidade seria para que, posteriormente, viéssemos a aprofundar as investigações e, se fosse o caso, recomendar uma operação para deter os suspeitos”.
O promotor disse que foi contatado pelo delegado geral Marcílio Barenco na mesma noite da operação. Barenco queria saber se partiu mesmo do Gecoc a decisão pela operação no Centerplex e ainda questionou o promotor sobre a existência do relatório com as informações da Inteligência. “Ele me falou do relatório, confirmei que havia sido produzido, mas que não recomendamos operação alguma”, disse Alfredo Mendonça.
O delegado geral adjunto José Edson de Freitas Júnior assegurou que os agentes que foram ao Pátio Maceió estavam a serviço e não tinham a intenção de serem beneficiados com a “carteirada”. “Eles estavam averiguando uma informação que chegou ao conhecimento da Polícia Civil de que existiria a prática de tráfico de entorpecentes dentro do shopping. E a informação que tínhamos dava conta de que os traficantes estavam escondidos numa das salas de cinema”, explicou o delegado.
Para José Edson, a gerente nacional do Centerplex agiu incorretamente quando quis atrapalhar o trabalho dos policiais, por isso sua prisão foi justificada. “Ela precisava entender que os agentes estavam de serviço, e tenho como provar isso, por meio de um documento expedido pelo Gecoc e que já está nas mãos do secretário Paulo Rubim. A cúpula da Polícia Civil entende que a prática da carteirada é comum, mas neste caso os policiais estavam de serviço, isso eu garanto”, ressaltou o delegado geral adjunto.
“A gerente achou que os agentes queriam se divertir, como pode ter acontecido em vários estabelecimentos de Maceió. Porém, estávamos à disposição dela para qualquer esclarecimento sobre a finalidade da operação que deflagramos na segunda-feira”, completou José Edson.
Para ele, a prática da “carteirada” não é vista com bons olhos pela cúpula, embora os diretores reconheçam que é rotineira. “A gerente só foi presa porque impediu o trabalho dos agentes. Se eles não estivessem de serviço, o acesso ao local mediante a apresentação da carteira da profissão era voluntário. Em alguns locais, os policiais que não estão de serviço entram porque existe o respeito do dono, mas ele não é obrigado a fazer isso se o agente não estiver a trabalho”, esclareceu.
José Edson explicou ainda que a lei estadual que define o livre acesso dos agentes da segurança pública só pode ser colocada em prática quando estão trabalhando.
O CASO – Policiais do Tigre chegaram ao Pátio Maceió e disseram que estavam participando de uma operação para constatar tráfico de drogas no cinema. Como houve resistência dos funcionários, seguranças e da gerência, Andréa Marques acabou presa. Ela contou que foi constrangida pelos agentes, que a obrigaram a atravessar o shopping inteiro “como se fosse uma criminosa”. Andréa assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência na Central de Polícia e foi liberada.
A direção do estabelecimento pretende acionar a Justiça contra o Estado.
9 comentários
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Edital do Concurso da Policia Civil de Alagoas: Salario de RS……. + CINEMA + FUTEBOL + SHOWS, etc…
É um fato que deve ser apurado pela Secretaria de Defesa Social, pois esta estória de entrar em cinema, usando carteira funcional para investigação, já não cola mais. Em sendo verdadeira a versão de carteirada, juntada à prisão da gerente da rede de cinemas, vamos estar diante de uma Polícia parecida com a de Los Angeles na década de trinta do século passado. Só vai faltar a pobre mulher ser encaminhada pela polícia para um manicômio judiciário.
Abaixo a Ditadura!!! Liberdade de expressão! Pelo fim do coronolismo autoritário! VIVA A DEMOCRACIA!!!
Porque esta ação da polícia só aconteceu nos cinemas do novo shopping? Não é de hoje que correm os comentários de que noutro shoping da cidade o tráfico de droga rola livre e solto. Frequentadores do shopping de Mangabeiras já presenciaram membros de família classe “A” cheirando o pó enquanto na tela o filme era exibido. Vai lá também, polícia!!!!
Pura desfaçatez! a cúpula da polícia civil foi infeliz em suas declarações. Investigar algo que mal começou? aconselho a qualquer pessoa que se sentir constrangida no momento da ação delituosa da polícia, entrar com uma ação contra o estado.
VERDADEIROS MENDIGOS, E COM APOIO OFICIAL….QUE VERGONHA !!!
Fala sério!!! O cinema tinha inaugurado a três dias!!! OU a policia de Maceió é muito rápida ou tá tentando explicar o inexplicável. Pior a gerente que proibiu a entrada não é a mesma que foi presa… vejam o depoimento no youtube….
COMUNICADO:
ATENÇÃO POLICIAIS DE INTELIGÊNCIA DA POLÍCIA CIVIL DE ALAGOAS
não precisa muitos esforços de inteligência para prender traficante em Alagoas. O tráfico de drogas rola solto nas ruas, nas portas das escolas, nas praças, no Benedito Bentes, Reginaldo, Jacintinho, Vergel, Clima Bom…etc
Será que vcs não tem o que fazer?
E UM ABSURDO ESSE TIPO DE COISA ACONTECER NOS DIAS DE HOJE!!!! ISSO QUE ERA A POLICIA… COM TODA CERTEZA ESSES POLICIAIS NÃO TINHAM O QUE FAZER MESMO… E FORAM “PEGAR” UM CINEMINHA!!!! ISSO É UMA VERGONHA….