Cidadania nas Manhãs Brasileiras de Alagoas

Publicado por Alberto Rostand Lanverly em 10/03/2010 as 18:56
Arquivado em Opinião

“Em algumas oportunidades me descubro sorrindo sozinho”

Alberto Rostand Lanverly

O avanço da tecnologia oferece ao homem condições de conhecer os acontecimentos do mundo, praticamente, no mesmo instante em que estas ocorrem, seja na turbulência das metrópoles continentais, nas profundezas oceânicas, na aridez dos desertos, nas gélidas regiões da Antártida, na lua ou, até mesmo, em bairro próximo à sua residência. Tudo parece estar “on line”.

Contudo, apesar da televisão e a internet “desnudarem” os fatos imediatamente após estes virarem história, dos periódicos, como jornais e revistas, estabelecerem “prazos de validade” para as manchetes estampadas em suas páginas, o rádio continua sendo a forma mais “tradicional” de informação.

Enquanto a notícia por imagens transporta o observador para o “foco” do evento e os periódicos escritos “dissecam” fatos ocorridos em dias anteriores, o rádio exige do “ouvinte”, ação e criatividade para que “a novidade” venha gerar movimentos.

Recordo-me, quando, em minha infância, nos finais de tarde acompanhava minha mãe na escuta da novela “O Direito de Nascer” onde Albertinho Limonta e Isabel Cristina formavam o par de apaixonados que encantava o Brasil. Seus diálogos geravam choros, lamentações, angústia. Os sons de seus “respeitosos” afagos ganhavam “forma” no imaginário dos ouvintes.

Não posso esquecer, também, que, durante o campeonato mundial de futebol, em 1966, ainda quase criança juntava-me a meu pai para colar o ouvido no possante “Phillips”, valvulado em série como árvore de natal. Os comentários de Mário Vianna e João Saldanha se misturavam aos ruídos saídos daquela caixa de madeira, que, gerando magia, nos transportava para os “gramados” da Inglaterra, onde nos víamos chutando a “pelota” com Pelé, Garrincha e seus companheiros. O interessante é que naquele rádio, que captava somente “ondas médias e curtas”, o mostrador era ao contrário; ou seja, as frequências diminuíam da esquerda para a direita, mas funcionava uma beleza.

Os tempos passaram. Com o crescimento das cidades aumentaram também as distâncias a serem percorridas diariamente pelos habitantes de uma comunidade. E, a bordo de seus automóveis, reféns da solidão gerada pelos engarrafamentos, os usuários do sistema viário buscam algum tipo de distração para fazer o tempo passar. Em meu caso específico, os programas de rádio dominam minha predileção.

Durante muito tempo encontrei, em “Manhãs Brasileiras” do inesquecível Edécio Lopes, a fórmula exata de um “show” completo. Quis o destino que ele, muito cedo, fosse demonstrar suas inúmeras qualidades em uma outra dimensão. E assim, descobri o programa “Cidadania”, que, desde então, tornou-se, para mim, escuta obrigatória, sempre que possível.

Notícias generalizadas, política, esportes, medicina, músicas, piadas, entrevistas interessantes no estúdio e nas ruas. O responsável pelo programa, a quem não conheço pessoalmente, e seus assistentes, principalmente um que possui a voz fanhosa e outro que dizem donatário de uma cabeça com dimensão avantajada, parecem transformar “as ocorrências de Maceió” em um imenso “bambolê”, que eles “giram em suas cinturas” com perícia inigualável. Em algumas oportunidades me descubro sorrindo sozinho, em outras, me vejo impressionado com os comentários imparciais e honestos que servem para esclarecer os ouvintes.

Impressionante como o rádio, “responsavelmente trabalhado”, se transforma em uma ágil ferramenta da cidadania nas manhãs brasileiras das Alagoas.

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