Brasil é o 6º no ranking de armas com civis, diz ONU

Publicado por Redação em 17/06/2010 as 17:19
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Metralhadora apreendida pela polícia do RJ; armas militares são minoria entre as apreensões do Estado, diz ONU (Foto: PM/RJ)

Metralhadora apreendida pela polícia do RJ; armas militares são minoria entre as apreensões do Estado, diz ONU (Foto: PM/RJ)

O Brasil está entre os dez países com maior número de armas em poder de civis, segundo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado nesta quinta-feira (17). O texto aponta que o Brasil tem 15 milhões de armas de fogo com civis – praticamente uma arma para cada 12 habitantes. Juntamente com o México, o país ocupa a sexta posição de ranking mundial que leva em conta o total de armas nas mãos de civis.

O relatório das Nações Unidas se baseia na pesquisa Small Arms Survey (Levantamento sobre Armas Leves, na tradução livre do inglês), realizado em 2007, quatro anos depois da implementação do Estatuto do Desarmamento – legislação que tornou mais restritivo o uso de armas de fogo e incentiva o recolhimento pela Polícia Federal do armamento em poder da população.

Desde a criação do estatuto até o ano de 2006, 473 mil armas foram entregues de acordo com as regras, que preveem pagamento em troca do equipamento. Entre 2008 e março deste ano, a Polícia Federal diz ter apreendido 27,5 mil armas – a PF não foi informou quantas armas foram devolvidas em 2007. A soma das armas recolhidas representa 3,3% do total apontado no estudo da ONU.

Intitulado A Globalização do Crime: Uma Avaliação sobre a Ameaça do Crime Organizado Transnacional, o relatório mostra que  o Brasil supera em número de armas em poder de civis países como a Rússia (13 milhões de armas), que enfrenta constantes conflitos de Estados que pedem independência, e o Iêmen (12 milhões), considerado reduto de redes terroristas.

Na América, o Brasil surge em segundo lugar. A população mais fortemente armada do mundo está nos Estados Unidos, com 270 milhões de armas – praticamente uma para cada habitante. O total é 17 vezes maior que o verificado no Brasil. Em segundo lugar, vem a Índia (46 milhões de armas), seguida por China (40 milhões), Alemanha (25 milhões) e França (19 milhões).

A assessoria de imprensa da Polícia Federal disse que se manifestaria após a divulgação do relatório.

Rio de Janeiro
O crime organizado nas favelas brasileiras é destacado no estudo como exemplo de como esses grupos surgem em territórios onde o governo tem pouca presença. Outras organizações criminosas citadas são a máfia italiana e a Yakuza japonesa.

A análise pontua que, apesar de armas militares serem usadas ostensivamente por criminosos no Rio de Janeiro, a maioria das apreensões no Estado é de revólveres. Entre 1974 e 2004, 68% das apreensões foram de revólveres, 16% de pistolas e 8% de espingardas. Menos de 2% foram de rifles e de submetralhadoras, equipamentos de uso exclusivo das Forças Armadas. Depois de 1992, houve um aumento nas apreensões de armas militares, que passou a responder por 4% do total. A maioria das armas apreendidas eram de fabricação nacional.

Para Ligia Rechenberg, coordenadora de informação e referência do Instituto Sou da Paz, a pesquisa ajuda a desmistificar algumas informações que estão no imaginário brasileiro, como o de que as armas ilegais vêm do exterior.

– Tem que parar com essa ideia de que o que mata é a bazuca. Na verdade, são armas de pequeno porte que estão circulando na mão de pessoas.

Ligia relaciona os dados do relatório da ONU com a média de 36 mil mortes violentas por ano na última década no Brasil por motivo banal. A especialista aponta que seria interessante unificar as informações sobre armamento que estão espalhadas em diversos bancos de dados de vários órgãos governamentais a fim de se elaborar uma estratégia de enfrentamento da violência.

Crime organizado
Antonio Maria Costa, diretor executivo do UNODC (escritório da ONU que lida com drogas e delitos), afirma que o crime organizado se globalizou, “transformando-se em uma das primeiras potências econômica e armamentícia do mundo”.

– O comércio ilícito afeta igualmente a todas as nações, tanto do G8 [grupo das principais potências econômicas do planeta] quanto Brasil, Rússia, Índia e China [chamados Bric, os países emergentes], assim como potências regionais.

R7

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