Confiança em extinção

Publicado por Webmaster em 29/07/2010 as 05:00
Arquivado em Opinião

“Num mundo em que ninguém mais confia em ninguém a confiança ainda existe?”

Stephany Domingos

Andando pelas ruas, é difícil não olhar para todos os lados e observar todos os passos daqueles que competem conosco um espaço na multidão. Entre “caras” bondosas e rostos mal encarados, não andamos, na verdade corremos, tropeçamos em nossos próprios pés indecisos com a rapidez e a lentidão e vemos além do que aquelas pessoas representam. São confiáveis ou não? E com força e abnegação, seguramos nossas bolsas que carrega metade da nossa vida (e da nossa casa) dentro dela junto ao nosso corpo, com toda a segurança que conseguimos transmitir para nossas mãos trêmulas. O que acontece? Crise de pânico ou excesso de medo de assaltos? Sinto admitir, mas nenhuma das duas alternativas responde o questionamento. O problema geral é a falta de confiança nas pessoas que convivem ou não conosco.

Mas verdadeiramente, o que é confiança? A primeira definição que o Google nos dá diz o seguinte: “Confiança é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e simplesmente considerando-a. Se refere a dar crédito, considerar que uma expectativa sobre algo ou alguém será concretizada no futuro”.

Enfim, com as expressões “deixar de analisar” e “dar crédito” grande parte das pessoas já encontram os primeiros problemas. Atualmente é comprovadamente difícil desconsiderar a veracidade dos fatos e simplesmente acreditar, quando mentiras que aparentavam verdades são contadas diariamente destruindo a vida de milhares de pessoas.

Antigamente tudo era mais fácil. Quando um homem empenhava sua palavra, isso valia. Porém, hoje em dia nada é absolutamente garantido. Confiar, para muitas pessoas, é como chuva de granizo no Sertão alagoano, difícil, para não dizer impossível.

Mas porque a confiança se tornou um artigo tão escasso? O motivo é considerado simples: as pessoas mentem para conseguir o que desejam e não cumprem o que prometem (nossos políticos que o digam). Nessas eleições como em tantas outras, tanto chegará ao nosso ouvido e tão pouco será cumprido que nos faremos a pergunta: ainda dá para confiar? Creio que sim. Fazer o que?!

Pois, o que seria de nós se a desconfiança movesse nossa vida, nosso ambiente de trabalho e nossos relacionamentos pessoais? Não viveríamos. Ponto. Pois sem acreditar que as pessoas podem ser verdadeiras e honestas nada seria válido e tudo no mundo seria falso e baseado em mentiras.

Confiar faz parte, mesmo que nós receemos e sendo a familiaridade e o risco elementos implícitos na definição de confiança, temos que nos arriscar. Na medida que o tempo passa e as relações interpessoais com aqueles que temos medo de dar o mínimo crédito aumentam, o relacionamento amadurece, começamos a acreditar na nossa capacidade de formar uma expectativa positiva. E é assim que deve ser. Andar no Centro de Maceió ou na Praça Sinimbu às 19h não quer dizer que serei assaltada. Quem não confia, se tranca… e quem se tranca, não vive…

Ah! Mas cuidado, confiar cegamente já é um pouquinho demais… Quando aquele político com “cara” de bonzinho te prometer aumentar o salário mínimo para R$ 3.000,00, ou sua melhor amiga assediar seu marido na sua frente e dizer que não é nada disso que você está pensando, não confie plenamente, pois confiar é totalmente diferente de ser idiota. Ponto. Um passo à frente e dois olhos abertos é o caminho perfeito para ser uma pessoa otimista e sem medo de se magoar… As dimensões básicas que fundamentam a confiança são: a integridade, a competência, a consistência, a lealdade, a abertura e a OBSERVAÇÃO. Pense nisso!

Deixe um comentário

Nome (Obrigatório)
E-mail (Obrigatório) (Não será divulgado)
Website